quinta-feira, 15 de março de 2012


15 de março

São Clemente Maria Holfbauer


Batizado com o nome de João, ele nasceu num pequeno povoado da Morávia, República Tcheca, em 26 de dezembro de 1751. De família muito cristã e pobre, não pode se dedicar aos estudos até a adolescência. Seus pais Paulo Hofbauer e Maria Steer tiveram doze filhos e ele tinha apenas sete anos, quando ficou órfão de pai. Consta de suas anotações que, nesse dia, sua mãe lhe mostrou um crucifixo e lhe disse: "A partir de hoje, este é o teu Pai". João entendeu bem a orientação, decidindo, a partir de então, que se tornaria sacerdote e missionário.
Foi um notável pregador e diretor espiritual em Viena, São Clemente era diretor espiritual do Convento das Irmãs Ursulinas, fundou um colégio católico em Viena, trabalhou com os pobres e ajudou a revitalizar a vida  religiosa na Alemanha. Trabalhou contra o estabelecimento de Igreja Nacional Germânica e contra o Josephinismo  que queria o controle  secular do Clero e da Igreja dentre esses e outros feitos destacamos o segredo de sua grande santidade. Uma ardente, terna e filial devoção à Santíssima Virgem.


A devoção de São Clemente à Santíssima Virgem Maria

A devoção à Santíssima Virgem era um ponto atacado e combatido naqueles tempos de frieza religiosa e jansenismo detestável.
Até teólogos que se diziam católicos, julgavam dever impugnar o culto de Maria Santíssima. O Rosário era desconhecido em bastante centros católicos de sorte que em Viena se tinha em conta de curiosidade o fato de que na igreja de Santa Úrsula havia um padre que benzia Terços e Rosários.
São Clemente era um digno fiolho espiritual de Santo Afonso Maria de Ligório, o dedicado cantor e defensor acérrimo das Glórias de Maria, e por isso não podia deixar de consagrar à Virgem Maria um amor terno e filial. O divino Mestre afirmou que a boca fala ex abundantia cordis, daquilo que enche o coração;  para São Clemente, o decantar no púlpito e nas palestras familiares as Glórias da Mãe de Deus, era uma das maiores alegrias e consolações da sua alma. No púlpito, quando discorria sobre algum mistério da vida de Nossa Senhora, tornava-se excepcionalmente eloqüente e as palavras jorravam fáceis dos seus lábios: era o filho amoroso que enaltecia os encômios de sua Mãe. A Imaculada Conceição, as Sete Dores de Maria e, sobretudo o mistério da Anunciação, em que veneramos conjuntamente a encarnação do Verbo e a maternidade da Virgem, eram o objeto de sua mais terna devoção desde os dias de sua infância, e o assunto predileto dos seus eloqüentes sermões. Dificilmente passava-lhe despercebido o toque do “Ângelus” de manhã, ao meio dia e à tarde; onde quer que se achasse, punha-se de joelhos e com devoção e amor saudava sua Rainha e Mãe.
A exemplo de Sto. Afonso nutria uma devoção toda especial para com a Virgem sob o título do Bom Conselho, de cujas luzes tanto necessitava naqueles tempos turbulentos; e a Virgem diversas vezes deu mostras de que aceitava os obséquios do seu devoto Servo, guiando-o, qual estrela indeficiente através dos escolhos e abrolhos da vida tempestuosa do seu século.



Característica era a sua devoção para com o Rosário de Maria, que denominava a sua “biblioteca”. Em todos os seus passeios pela cidade e em casa, nos momentos livres, Clemente desfiava as contas do Rosário. Para consolidar essa devoção entre os seus discípulos impôs aos oblatos da congregação o dever de defender sempre o Santíssimo Rosário, mormente quando escarnecidos pelos hereges. No púlpito, no confessionário e nos entretenimentos familiares recomendava com fogo essa devoção; nas pausas do confessionário rezava o terço, ou, ao menos algumas “Ave-Marias”, afirmando que por essa devoção conseguia quanto pedia a Deus. Por vezes, à cabeceira dos doentes, esgotados aos meios de persuasão, ajoelhava-se, rezava o terço, e a conversão era garantida. Chamado a algum doente, que morava um tanto afastado, punha-se a rezar o Terço a caminho e gostava de dizer: “Quando tenho tempo de rezar o Terço, não há pecador que não se converta!” Para São Clemente a devoção a Nossa Senhora era uma necessidade imperiosa. Não podia ouvir falar em nome de Maria sem algum predicado glorioso para Ela. Quando em suas longas viagens encontrava algum santuário da Virgem, não prosseguia seu caminho sem primeiro saudar sua Mãe Celeste e depositar em seu altar o ósculo ardente de seu amor filial. Em Viena os únicos passeios que fazia fora da cidade, eram consagrados à Virgem em seus santuários, Todas as igrejas de Nossa Senhora eram-lhe caras, porque em todas elas encontrava ocasião de homenagear sua Mãe e Rainha; porém o que mais lhe atraia era o de Mariazell, onde se desenvolvia como em nenhum outro, a vida de fé católica, aliás, abaladíssima na Áustria no tempo do josefismo. Quando o Santo contemplava as multidões que, de perto e de longe, invadiam o Santuário da Virgem, os corações a vibrar de amor, os cânticos a ecoar pelas planícies, as orações a repercutir na vasta abóbada do Santuário, sua satisfação era sem limites, seu peito estremecia, e seu coração parecia saltar fora a desafiar os incrédulos a virem em sua incredulidade explicar aquele espetáculo de fé. –“Que os incrédulos, exclamou Ele, venham explicar-Me, se puderem, o que impulsiona este povo, o que o traz de tão longe terras, a custo de mil fadigas, a estas montanhas! Tem-se que reconhecer que é o poder da fé. Oh! Se o Santo Padre pudesse ver toda essa gente e esta devoção, havia de chorar de alegria”.
No púlpito e no confessionário exortava continuamente os fiéis a recorrerem à Rainha do Céu – “Não se pode ir para o paraíso senão por meio de Maria”, gostava Ele de repetir.
Mormente aos pecadores apontava São Clemente a devoção a Maria Santíssima como âncora de refúgio e de salvamento. “Meus irmãos, exclamou  Ele um dia levado de entusiasmo, se entre vós existir algum que perdeu a fé, ou nela se sente fraco, ouça o remédio eficaz que eu conheço ser infalível: reze diariamente de joelhos e com devoção uma ‘Ave-Maria’ à Mãe de Deus, e sua alma atribulada recuperará a paz”.


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